Saúde

Cancro: Fundação Champalimaud vai seguir doentes em casa

A Fundação Champalimaud e a multinacional Philips celebraram, esta segunda-feira, uma parceria destinada ao tratamento e monitorização de doentes oncológicos em casa, um projeto inédito a nível nacional.
Versão para impressão
A Fundação Champalimaud e a multinacional Philips celebraram, esta segunda-feira, uma parceria destinada ao tratamento e monitorização de doentes oncológicos em casa, um projeto inédito a nível nacional e que posiciona o centro português entre as referências europeias e globais na área da inovação em saúde.
 
Em comunicado enviado ao Boas Notícias, a fundação explica que, sob este acordo, as duas entidades vão investigar e validar, em conjunto, “novas e mais eficientes modalidades de gestão” dos pacientes com cancro, em todas as fases do ciclo da prestação de cuidados clínicos – da avaliação ao diagnóstico, passando pelo tratamento, pela convalescença e pelo posterior acompanhamento.
 
O acordo insere-se na vontade do centro português de apoio à investigação biomédica de construir um “Hospital do Futuro”, isto é, de apostar na criação de novos modelos no acompanhamento ao doente, transferindo os cuidados do hospital para a casa dos pacientes. 
 
“Este novo paradigma na medicina irá combinar as mais avançadas e especializadas instalações clínicas com os cuidados médicos personalizados, em casa do doente, substituindo progressivamente o tradicional internamento em ambiente hospitalar”, esclarece a Fundação Champalimaud.
 
A novidade é inspirada pelo modelo “Hospital do Home – H2H” (“Hospital em Casa”, em português), da Philips, que oferece “uma combinação única de uma plataforma digital de saúde equipada com 'cloud', serviços de transformação de cuidados de saúde e um portfólio rico em aplicações de 'software' clínico, que formam um modelo novo e contínuo de cuidados”.


Acordo foi selado pela presidente da Fundação Champalimaud, Leonor Beleza, e pelo vice-presidente da Philips, Ronald de Jong © Fundação Champalimaud

 
Para alcançar este modelo, a empresa holandesa parceira da fundação disponibiliza “uma tecnologia de comunicação avançada e de um 'software' com conhecimentos clínicos centralizados para prestar aos pacientes cuidados de alta qualidade, reativos e proativos” através da chamada “telesaúde”.
 
Segundo a Fundação Champalimaud, esta solução “permite melhorar os rácios de mortalidade, diminuir o tempo de internamento hospitalar, reduzir a necessidade de internamento e diminuir custos”, além de possibilitar, ainda, “o acesso a cuidados de saúde especializados a um maior número de doentes que, de outra forma, não teriam como beneficiar dos mesmos devido a barreiras geográficas e à indisponibilidade de médicos”.
 
Fundação integra arquivo digital mundial de patologias
 
Além de apostar no tratamento e monitorização dos pacientes em casa, a Fundação Champalimaud vai, também, criar, em parceria com a Philips e o Mount Sinai Health System, em Nova Iorque, nos EUA, uma moderna base de dados de imagens digitais de amostras de tecido dos doentes com dados analíticos.
 
“Esta inovação irá permitir dar seguimento à descoberta de novos testes baseados em tecidos, desbloqueando dados patológicos”, visando “promover a investigação clínica e permitir um melhor acompanhamento de doenças complexas, como o cancro”, esclarece a entidade portuguesa no mesmo comunicado.
 
O projeto “Patologia Digital” vai envolver patologistas de todo o mundo numa rede virtual global – o sistema de saúde integrado de Mount Sinai -, podendo os casos de patologia ser digitalizados na fundação e, imediatamente, discutidos com qualquer patologista da rede, espalhado por países tão díspares como Arábia Saudita, Israel ou Espanha.
 
No âmbito desta iniciativa será criado um abrangente arquivo de imagens digitais, que serão tornadas acessíveis aos investigadores, “integrando, analisando e apresentando todos os dados disponíveis a partir de imagens integrais patológicas, serviços de laboratório clínico, análise genética, radiologia e patologia cirúrgica e molecular.”
 
“Esta colaboração com a Philips tem o potencial para ajudar a impulsionar um novo paradigma na área da saúde que inclui a otimização da eficácia do tratamento e resultados clínicos superiores”, afirma Carlos Cordon-Cardo, presidente do departamento de patologia do Centro Champalimaud e do Mount Sinai Health System. 
 
Para Cordon-Cardo, o objetivo final das parcerias estabelecidas será “traduzir dados em conhecimento, de forma a maximizar a gestão personalizada do paciente” e a permitir aos hospitais uma partilha única de informações entre si.

Comentários

comentários

BN TV

O Boas Notícias está de volta!

Live Facebook

Correio do Leitor

Subscreva a nossa Newsletter!

Receba notícias atualizadas no seu email!
* obrigatório