Cultura

Bucos: projeto faz renascer arte de trabalhar lã

Modernizar e incentivar a tradição da lã, na freguesia de Bucos (Braga), é o objetivo do projeto "Mulheres de Bucos" que convidou a estilista Helena Cardoso para colaborar com as mulheres que trabalham a lã naquela zona. Uma iniciativa que já está a
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Modernizar e incentivar a tradição da lã, na freguesia de Bucos (Braga), é o objetivo do projeto “Mulheres de Bucos” que convidou a estilista Helena Cardoso para colaborar com as mulheres que trabalham a lã naquela zona. Uma iniciativa que já está a dar os seus frutos.

Ana Gomes Brás aprendeu a granjear e trabalhar a lã ainda criança, com a mãe e a avó. “Aproveitava para granjear sempre que ia com as vacas pastar ou à noite, nos serões, porque não havia televisão”, explica ao Boas Notícias.

“Foi com o dinheiro das peças que vendia que comprei o meu primeiro fio de ouro e o meu relógio. Era também com o dinheiro da lã que, em minha casa, comprávamos bens como o azeite”, recorda.

Agora, aos 55 anos, Ana Gomes Brás sente-se orgulhosa por ver esta arte persistir e salienta a importância do impulso dado agora a esta tradição centenária com as “Mulheres de Bucos”, grupo que tem ajudado a dinamizar.

O grupo continua a fazer as meias e as mantas tradicionais mas, graças à colaboração com a estilista Helena Cardoso, começam a surgir novos produtos mais modernos e atuais.

“Estamos a aprender coisas novas e diferentes que também são mais lucrativas porque em menos tempo fazemos coisas com mais valor. Agora que convidamos a estilista temos feito pulovers, casacos, êcharpes, coisas mais contemporâneas”, explica, sublinhando que até já houve, recentemente, uma pessoa que comprou produtos para levar para Inglaterra.

No âmbito deste projeto, foi ainda criado um nome e um logótipo. O nome – Novelo de lã – foi escolhido pelas próprias “Mulheres de Buços” e o logótipo foi criado pela empresa Elástico Design.

Ana Gomes Brás espera que este novo impulso dado à arte de trabalhar a lã permita, em breve, adquirir novos teares e também recuperar os pisões, um equipamento que era utilizado para pisar e amaciar a lã, sobretudo das capuchas, mas que deixou de ser usado.

O projeto – liderado por uma dezena de mulheres – tem contado com o apoio da Junta de Freguesia de Bucos e com o apoio da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, que têm vindo a incentivar o trabalho da lã. É na sede da Junta, onde estão os teares e a lã, que estas mulheres se reúnem, uma vez por semana, para trabalhar e também conviver.

A autarquia convidou ainda cinco estudantes da Escola de Belas Artes do Porto para filmar e fotografar as mulheres de Bucos e as suas tarefas em torno da lã. O resultado desse trabalho deu origem a um vídeo e a uma exposição de fotografias que esteve patente na Festa das Comunidades e dos Produtos Locais.

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