Sociedade

Aveiro: Praxe solidária vai ajudar menina com paralisia

Estudantes da Universidade de Aveiro (UA) levaram, novamente, a cabo uma praxe académica solidária, reunindo duas toneladas de tampinhas de plástico para ajudar uma menina portuguesa com deficiência e brinquedos para as crianças de Cabo Verde.
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Contrariando as conotações negativas muitas vezes associadas a esta prática, estudantes da Universidade de Aveiro (UA) levaram, novamente, a cabo uma praxe académica solidária, reunindo duas toneladas de tampinhas de plástico para ajudar uma menina portuguesa com deficiência e milhares de brinquedos para doar às crianças cabo-verdianas da Ilha do Fogo.
 
No âmbito da segunda praxe geral da academia aveirense, mais conhecida por “Roncada”, os alunos da universidade promoveram, nos últimos meses, uma campanha de recolha de tampas de plástico que vão ser vendidas para reciclagem, com todo o valor a reverter a favor da pequena Bárbara, de cinco anos, natural de Cantanhede e que sofre de paralisia cerebral.
 
“Como sempre, e sendo este um dos pilares que nos diferenciam de muitas outras praxes por todo o país, aqui [na Roncada] tentamos incutir aos nossos novos alunos o espírito de solidariedade para com os outros”, explica Paulo Pintor, responsável pelo Conselho do Salgado, orgão da academia que gera, organiza e dinamiza todas as praxes, em comunicado.
 
A campanha foi tão bem-sucedida que foram angariadas, entre a comunidade académica, mais de duas toneladas de tampinhas de plástico, entregues esta semana à família da menina com a ajuda “de duas carrinhas”, revela a Universidade de Aveiro.
 
De acordo com Paulo Pintor, o estudante do Mestrado em Sistemas de Informação no Departamento de Eletrónica, Telecomunicações e Informática da UA, a recolha de tampas “já é tradição na Roncada”, tratando-se de uma iniciativa que se destina “a ajudar quem mais precisa” com a colaboração do Gabinete Pedagógico da Reitoria da Universidade. 
 
O cariz solidário das praxes aveirenses não se ficou, porém, por território nacional e, este ano, vai mesmo chegar além-fronteiras. “Aceitámos, também, o desafio de recolher brinquedos para serem enviados para Cabo Verde, mais propriamente para a Ilha do Fogo, de forma a trazer um sorriso às crianças necessitadas”, conta Paulo Pintor. 
 
Recorde-se que a ilha foi, em Novembro do ano passado, afetada pela erupção de um vulcão, que deixou duas povoações destruídas e cerca de 1.000 desalojados. “Todos nós temos brinquedos de quando éramos crianças e que ainda estão em bom estado mas que já não são usados e, por isso, quem quis trouxe um ou mais para ser entregue”, acrescenta o estudante.

Praxe aveirense transmite “essência da cidade” aos caloiros
 

A Roncada, uma atividade da Faina Académica realizada anualmente pela Salgadíssima Trindade e pelo Conselho do Salgado, órgãos associados à praxe, é inspirada na história e acontecia “quando os pescadores eram surpreendidos em plena faina piscatória” e tinham como única esperança de regressar a terra em segurança a possibilidade de ouvir “a ronca da Barra ou os sinos das igrejas”. 
 
Em termos de tradição e de ensinamento de praxe, a Roncada é a segunda praxe geral de Aveiro, onde os aluviões, nome dado aos caloiros da UA, fazem o caminho inverso ao da primeira praxe, quando desfilam da universidade até ao centro da cidade, aproveitando para visitar vários pontos turísticos.
 
Desta forma, “parte da essência da cidade de Aveiro é-lhes passada, com todas as suas histórias, tradições, costumes e pessoas, já que grande parte dos aluviões não conhecia bem Aveiro antes de ter entrado na Universidade”, justifica Paulo Pintor.

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