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Alive!10, dia 1: Enchente no palco secundário

Florence + The Machine, The xx e La Roux, as bandas sensação do momento, foram as grandes estrelas do primeiro dia do festival Optimus Alive! 10 e atraíram (quase) todas as atenções dos 40 mil visitantes para o palco Super Bock. Pelo "outro" palco, o
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[Foto: © Ricardo Costa]

Florence + The Machine, The xx e La Roux, as bandas sensação do momento, foram as grandes estrelas do primeiro dia do festival Optimus Alive! 10 e atraíram (quase) todas as atenções dos 40 mil visitantes para o palco Super Bock. Pelo “outro” palco, o principal, passaram os Moonspell, os Kasabian e os Faith No More com o sempre carismático Mike Patton.

Devendra de cara lavada, mas (felizmente) o mesmo hippie de sempre

O palco secundário do Optimus Alive!10 começou a ganhar vida ao dar as boas vindas ao norte-americano Devendra Banhart, que se apresentou com o seu português de sotaque brasileiro, já bem conhecido dos fãs. “Tudo bem?”, perguntou, e o público confirmou-o, recebendo calorosamente os temas de “What Will We Be”, o seu mais recente álbum.

Este Devendra a que assistimos já deixou o cabelo longo e a barba, mas a sua voz quase mântrica continua a encantar, especialmente nos temas de “Smokey Rolls Down Thunder Canyon”, o álbum que integra canções como “Carmencita” (talvez a mais conhecida entre o público), “Lover” e “Sea Side”, também relembradas nesta atuação.

A banda acompanha-o não só no instrumental, mas também como contadora de histórias; também o baterista e o guitarrista contam as histórias deste universo que tantas raízes cruza – de São Francisco à Venezuela, vão apenas umas notas.

E quem não salta, não está no palco Super Bock

Enquanto já haviam passado pelo palco principal Biffy Clyro e Moonspell, esperava-se o concerto de Alice in Chains, encabeçados pelo vocalista Will DuVall, e onde não faltaram os clássicos “Rooster”, “Would” e “No Excuses”. Mas a espera seria novamente maior no palco menos secundário de toda a história dos palcos secundários dos festivais de verão.

Às 20h50, Florence + The Machine subiam ao Palco Super Bock, com uma multidão de gente ansiosa por aplaudi-los. Com apenas um álbum editado (“Lungs”, 2009), o coletivo britânico que vive da poderosíssima voz de Florence Welch já tinha (outro) energético concerto para oferecer em território nacional.

Em março, esgotaram a lotação da Aula Magna e agora, em julho, conseguiram voltar a pôr o público a saltar ao seu comando, literalmente. “You’ve Got the Love”, “Dog Days Are Over” e “Cosmic Love” foram algumas das músicas mais entoadas do concerto e onde qualquer tipo de interação entre a vocalista de 24 anos e os fãs era celebrado em êxtase. O culto gerado em torno destes britânicos percebe-se e recomenda-se.

A febre xx

E se a movimentação entre o palco Super Bock já não estava fácil, a atuação que se avizinhava não deu tréguas. Justificado? Talvez não. O álbum de estreia homónimo dos também britânicos xx foi aclamado pela crítica e, quando apresentado ao vivo no nosso país, pela primeira vez, deu direito a lotação esgotada apenas alguns dias depois do anúncio oficial da sua atuação na Aula Magna.

O coletivo viria a atuar no Porto, no dia seguinte, levando a nova enchente. No Optimus Alive!10, o cenário não foi diferente. O palco Super Bock não chegava para tanto entusiasta. Não houve música cuja letra não fosse cantada do início ao fim, quase em uníssono.

Mas – voltamos a perguntar -, será que se justifica? Foi um concerto monótono, sem surpresas, sem riscos. Aliás, aqueles que seriam os temas mais aguardados pelo público (“Crystalized” e “Infinity”) foram praticamente esgotados nos primeiros 15 minutos de concerto.

O grupo (um trio em palco) não se mostrou muito carismático, fazendo deste concerto um esforço meramente competente. Mas toda aquela multidão – e era, de facto, uma multidão heterogénea – estava rendida. Nós, nem por isso.

La Roux: à terceira é de vez

Em 40 minutos, a andrógina Ellie Jackson cantou tudo o que os portugueses esperavam ansiosamente que ela cantasse, depois de dois concertos cancelados em Lisboa, no primeiro trimestre do ano. “In For a Kill” e “Bulletproof” fecharam a primeira atuação do duo de eletropop em Portugal – e os cânticos faziam ouvir-se bem para lá dos limites da tenda Super Bock.

Ainda há vida no palco principal

Enquanto isto, os Kasabian tocavam num recinto quase despido para um palco principal. Foram desfilando vários temas dos seus três álbuns editados até à data, mas não chegou para aquecer aqueles que, mesmo assim, sobreviveram à febre xx. Finalmente, chegavam os cabeças de cartaz deste dia 8 do Optimus Alive!10.

Ou – não será mais conveniente dizê-lo – “o” cabeça de cartaz: Mike Patton. Os Faith No More vivem dele e para ele. Por esta altura, o palco principal ganhava, finalmente, protagonismo, ficando, ainda assim, longe da adesão que se poderia esperar.

Entre palavrões e um sapato roubado num “crowd surfing” que não lhe correu muito bem, Mike Patton aproveitou para dizer que o seu português não presta, optando por comunicar – e até mesmo cantar – num misto de italiano, espanhol e, quiçá, brasileiro.

Pode não ser poliglota, mas Patton possui, sem dúvida, das mais diversas vozes da história contemporânea da música. Um registo tão eclético, aliás, como o alinhamento escolhido: entre a bossanova de “Caralho Voador”, à pop de “Ben” e às mais rudes “From Out of Nowhere” e “Be Aggressive”, os fãs (esses “mal educados” que lhe tentaram roubar o sapatinho) puderam ouvir um pouco de tudo. Até uma citação da mais popular música de Vangelis.

O Alive!10 está vivo e recomenda-se. Venha o segundo dia.

Débora Cambé

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