Gastronomia

Alheira de Mirandela protegida contra “falsificações”

A partir de agora, a Alheira de Mirandela só pode ser produzida no concelho de origem. O enchido típico da culinária portuguesa passa, assim, a estar protegido contra "falsificações", concretizando-se uma ambição antiga dos produtores locais.
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A partir de agora, a Alheira de Mirandela só pode ser produzida no concelho de origem. O enchido típico da culinária portuguesa passa, assim, a estar protegido contra “falsificações”, concretizando-se uma ambição antiga dos produtores locais que se concretiza com a atribuição da Indicação Geográfica Protegida (IGP).
 
Este novo estatuto foi autorizado pela Comissão Europeia e confirmado pelo Governo português através de um despacho do secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Gomes da Silva, publicado a 3 de Julho em Diário da República.
 
António Branco, presidente da Câmara de Mirandela, disse à Lusa que esta certificação “é fundamental para o futuro da alheira”, um dos produtos regionais com maior peso económico no concelho, que movimenta 28 milhões de euros anualmente e emprega 550 pessoas. 
 
De acordo com o autarca, existem, atualmente, em Mirandela, sete produtores certificados para a confeção da alheira. Porém, acredita António Branco, o novo estatuto “pode ser o impulso para a união e para outros aderirem”. 
 
O edil assegurou ainda que a Indicação Geográfica Protegida (IGP) se assume como “uma forma de garantir que a Alheira de Mirandela é apenas produzida no concelho e uma forma de proteger a qualidade” deste enchido. 

Certificação é “mais-valia para a economia local”
 

Pedro Caldeira é um destes sete produtores, gerente de uma das maiores empresas da Alheira de Mirandela, a Topitéu, criada em 1982 pelo agrupamento de três pequenos produtores, e acredita que esta certificação é “uma mais-valia para a economia local” e o resultado de “uma luta pela defesa da região, do produto e do bom nome dos produtores”. 
 
Em declarações à Lusa, o empresário recordou que, desde 1996, este enchido tem proteção de Especialidade Tradicional Garantida (ETG), mas o nome da “Alheira de Mirandela podia ser usado e o produto fabricado em qualquer parte”. 
 
Agora, a produção está limitada ao concelho, o que “vai acabar com as falsificações, em que muitas vezes o produto era apresentado ao consumidor dizendo que era de Mirandela, na realidade não sendo”, congratulou-se Pedro Caldeira. 
 
Todos os anos, este produtor faz chegar a Alheira de Mirandela a 11 países, com exportações a representarem 20% da faturação de “três milhões de euros”, em que se incluem também outros enchidos e 40 postos de trabalho. 

Saliente-se que já há mais de sete anos que a Associação Comercial e Industrial de Mirandela tinha requerido a IGP agora alcançada.

Notícia sugerida por Maria da Luz

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