Ambiente

Açores: Presença de baleias aumentou 100 por cento

Nos últimos cinco anos, a visita de baleias ao arquipélago dos Açores tem aumentado drasticamente. O fotógrafo Nuno Sá e os proprietários da empresa Pico Sport, que opera há mais de 20 anos, afirmam que a presença destes cetáceos aumentou cerca de
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Nos últimos cinco anos, a visita de baleias ao arquipélago dos Açores tem aumentado drasticamente. O fotógrafo Nuno Sá e os proprietários da empresa Pico Sport, que opera há mais de 20 anos, afirmam que a presença destes cetáceos terá aumentado cerca de 100 por cento.

por Patrícia Maia
 

Os Açores estão a tornar-se um destino cada vez mais procurado pelas baleias. Há cerca de uma semana, o fotógrafo de vida marinha Nuno Sá foi alertado para o número “anormalmente elevado de baleias ao largo da Ilha do Pico”, pelo que não hesitou em “meter-se num avião e deslocar-se ao local”.

“Está a ser um ano incrível. Cheguei há poucos dias e já vi quatro espécies: baleias-azuis, baleias-de-bossas, baleias comuns e cachalotes. No total, terei avistado mais de 20 baleias, além dos golfinhos que são presença assídua”, conta o fotógrafo em entrevista ao Boas Notícias. 
 

A baleia-azul registada pela lente de Nuno Sá com a montanha do Pico ao fundo 

Nuno Sá mostra-se particularmente satisfeito com a presença da baleia-azul, o maior animal do planeta. “A que avistámos (na foto acima) tinha seguramente 25 metros de comprimento”, salienta.
 

Outro avistamento surpreendente foi a baleia-de-bossas “que são raras e não costumam aparecer nos Açores”, explica, “são muito chamativas porque costumam saltar fora de água” atraindo a atenção das pessoas. 

O fotógrafo, que já conquistou vários galardões a nível nacional e internacional, acredita que este aumento do número de cetáceos nos Açores se deve ao facto de, nos últimos anos, as águas locais estarem “particularmente ricas em plâncton”, devido às correntes. 

Nuno Sá garante que os animais têm estado tão perto da costa do Pico que “tem sido possível observar e fotografar estes mamíferos sem entrar na água, que aliás se apresenta turva e com pouca visibilidade, devido ao plâncton, o que dificulta a observação”.


Uma das baleias-de-bossas observadas esta semana ao largo do Pico

A ilha do Pico, de resto, é privilegiada para observar cetáceos e por isso mesmo “foi o berço de observação de baleias, conservando ainda muitas das vigias usadas na época em que era permitida a caça à baleia”, recorda o fotógrafo.
 

Um aumento de 100 por cento
 
Também o alemão Frank Wirth, proprietário da empresa de observação de cetáceos Pico Sport, a funcionar desde 1996, confirma este fenómeno: “Os cachalotes sempre estiveram muito presentes mas temos assistido a um aumento das baleias de barbas, posso afirmar que nos últimos cinco anos houve um aumento de pelo menos 100 por cento”.

Frank Wirth admite que o facto das águas dos Açores serem muito ricas em alimento tem atraído mais baleias, “já que estes animais conseguem comunicar através de longas distâncias”. “Uma baleia consegue informar outra baleia que esteja a 160 quilómetros de que há alimento em determinado local “, explica.

“Nós muitas vezes avistamos algumas baleias e percebemos que duas ou três semanas depois a sua presença aumenta bastante porque já avisaram as outras de que este ‘restaurante’ tem comida abundante e boa”, conta Frank.


Regulamentação da caça está a ter bons resultados

O responsável da Pico Sport considera que a regulamentação, a nível internacional, da caça à baleia, também tem contribuído de forma “muito positiva para o aumento da população”. Foi em 1987 – ano em que a prática passou a ser proibida no nosso país – que foi caçada, em Portugal, ao largo da vila das Lajes do Pico, a última baleia das águas portuguesas.

Frank traça ainda elogios às autoridades locais que têm sabido preservar estas espécies. “Graças às políticas locais, as companhias turísticas nos Açores têm um comportamento muito sustentável não permitindo, por exemplo, que demasiados barcos estejam ao mesmo tempo no mar e exigindo que preservem uma certa distância dos animais”. 
 
Por outro lado, as próprias empresas de observação esforçam-se por não incomodar as espécies, oferecendo ao mesmo tempo um serviço com mais qualidade aos clientes.

“Noutros locais os barcos transportam cerca de 30 passageiros e as observações duram apenas uns breves minutos. Aqui é tudo feito com mais calma, os barcos transportam uma média de 12 passageiros e as observações são sempre acompanhadas pela explicação de um biólogo para que as pessoas aprendam um pouco mais sobre estas espécies”. 
 

O mar dos Açores é um “diamante”

“Este arquipélago é um diamante no que respeita à observação de cetáceos”, garante o responsável, salientando que já visitou locais de observação de baleias em vários pontos do mundo. “Por aqui passam pelo menos 28 espécies de cetáceos, o que é um recorde mundial”, sublinha, garantindo que entre Fevereiro e Maio será possível observar nos Açores pelo menos três espécies de baleias, entre elas a gigante baleia-azul.
 
Frank afirma que a maior parte dos turistas que procuram este tipo de atividades vêm de países da Europa central, da Europa do norte e também dos EUA. O responsável lamenta que não haja mais portugueses a procurar estes serviços e considera que isso acontece porque muitos desconhecem os “tesouros que têm no seu próprio país”.

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