Cultura

A mais improvável dupla de assassinos [Estreia 01/07]

Louise-Michel conta-nos a história de uma improvável dupla de assassinos que se envolve numa mão cheia de peripécias pelo universo capitalista empresarial. Depois de passar pelo IndieLisboa e ganhar o prémio especial do júri em Sundance no ano passad
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Louise-Michel conta-nos a história de uma improvável dupla de assassinos que se envolve numa mão cheia de peripécias pelo universo capitalista empresarial. Depois de passar pelo IndieLisboa e ganhar o prémio especial do júri em Sundance no ano passado, chega agora às salas de cinema portuguesas por todo o país.

O filme começa com um problema: uma fábrica de textêis fecha de um dia para o outro deixando um grupo de trabalhadoras desempregadas com apenas dois mil euros no bolso cada uma. Após uma breve reunião sindical para ver o que fazer com as suas vidas, decidem juntar as suas fracas indemnizações e tomar uma medida.

A ideia mais “viável” surge de Louise (uma Yolande Moreau com enorme presença, que já conhecemos de Séraphine ou como a visinha de Amélie Poulain), que propõe contratarem um assassino para acabar com a vida daquele que as pôs nesta situação. Louise responsabiliza-se então por encontrar o profissional para o serviço. No entanto, como as coisas mudaram desde a sua última experiência no sub-mundo criminal, acaba por se apoiar no desconhecido Michel (o belga Bouli Lanners), um “especialista” em segurança coleccionador de armas, que se proclama muito eficiente nessas andanças.

Inspirados pela figura emblemática de movimentos anarquistas e sindicais francesa Louise Michel, os realizadores Gustave Kervern e Benoît Délépine criaram uma peça (também ela anárquica) que satiriza a sociedade actual com pungência e impiedade. De transsexuais a doentes terminais passando pelos ataques ao World Trade Center e imigração clandestina, ninguém é poupado ao humor negro destes dois. Destaca-se a aparição de Mathieu Kassovitz (conhecido actor e realizador francês), que produz o filme e faz um pequeno cameo como dono de uma quinta ecológica.

A realização é simples mas eficaz e a fotografia cinzenta transmite-nos a ideia da prisão que é a rotina diária. Tanto Moreau com Lanners são carismáticos nos seus papéis anti-convencionais. A banda sonora de Gaëtan Roussel ajuda a acrescentar ainda mais irreverência e originalidade às personagens e às suas aventuras. Louise-Michel é, assim, um hino proletário politicamente incorrecto para ver com sentido de humor e boa disposição, sobretudo no contexto económico atual.

Ana Russo

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