Mundo

4.000km de cadeira de rodas por um centro médico

Um homem paraplégico queniano está a chamar a atenção do seu país ao percorrer 4.000 quilómetros de cadeira de rodas pela construção de uma unidade para tratar lesões na espinal medula.
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Um homem paraplégico queniano está a chamar a atenção do seu país – e do resto do mundo – com uma iniciativa árdua em nome de uma boa causa: um percurso na sua cadeira de rodas manual ao longo de mais mais de 4.000 quilómetros, desde Nairobi, capital do Quénia, até à África do Sul, com o objetivo de angariar fundos para a construção de uma unidade de tratamento de lesões na espinal medula na cidade natal.
 
Zachary Kimotho, de 44 anos, perdeu o movimento das pernas em 2004, depois de ter sido alvejado na sequência de uma tentativa de assalto ao seu carro em Nairobi. “Uma bala atravessou-me o ombro e passou pela espinal medula até chegar ao outro”, contou, em entrevista telefónica ao britânico The Observer.
 
Embora tenha sido tratado durante três meses no Kenyatta National Hospital, não conseguiu recuperar, saindo da instituição hospitalar numa cadeira de rodas que nunca mais abandonou. Porém, Kimotho acredita que se tivesse recebido melhores cuidados as circunstâncias teriam sido muito diferentes e é por esse motivo que quer ajudar pessoas que, no futuro, passem pela mesma situação.
 
“Gostava que outros pacientes com lesões na espinal medula pudessem beneficiar de um tratamento adequado e ter o direito à reabilitação que eu nunca tive”, desvendou o queniano, ex-veterinário, que perdeu o emprego recentemente e se pôs a caminho pelas estradas para juntar dinheiro para a sua missão.

820 mil euros já foram angariados
 

Na primeira fase da jornada, Kimotho conseguiu já angariar cerca de 820 mil euros depois de cumpridos 125 quilómetros do percurso a que se propôs, durante os quais resistiu às baixas temperaturas, ao tempo húmido e às bolhas nas mãos por conduzir a cadeira de rodas.
 
“A temporada tem sido muito fria no Quénia e também tenho de lidar com os motoristas que estão sempre a acelerar. Tenho enfrentado muitos desafios mas não vou deixar que estes me afastem do meu objetivo”, garantiu.
 
Entretanto, a Organização Queniana de Paraplégicos escolheu Kimotho para ser a cara de uma campanha de sensibilização para o problema das lesões na espinal medula naquele país, apelando à população que faça uma pequena doação na tentativa de angariar um montante suficiente para construção da unidade de cuidados, evitando que este aventureiro tenha de terminar a penosa missão.
 
A jornada de Kimotho está, no entanto, a ser atrasada pela burocracia, que obrigou a uma paragem. “Precisei de parar porque apenas nos candidatámos a uma licença de angariação de fundos de 60 dias”, explicou, adiantando que a Organização Queniana de Paraplégicos já adquiriu um terreno em Nairobi para a futura construção do centro.
 
“No início de Setembro vamos criar uma fundação com o dinheiro angariado até ao momento para perceber quanto conseguimos juntar. Depois avançaremos para a próxima fase da iniciativa”, concluiu.

Clique AQUI para visitar a página da campanha Bring Zack Back Home.

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